Na minha última postagem falei sobre o acidente de d. Izaura. Ela passou quase uma semana internada. Por coincidência a vi no Hospital. Pude ajudar a família a segurá-la no leito, enquanto ela tentava sair, segurando-se nas barras de proteção. Ela ficava inquieta, não aguentava mais a situação e era difícil contê-la. Com freqüência tentava levantar-se, por vezes puxou as linhas dos pontos que estavam na perna, querendo arrancá-los, ou se livrar das dores. Ela gemia, lamentava e pedia para morrer.
Uma das filhas me contou que ela era muito ativa. Aos 86 anos, caminhava sozinha, ia ao banco e era muito independente e forte. Ninguém imaginou que ela seria vítima de acidente e que passaria por momentos tão difíceis antes de morrer.
D. Izaura teve múltiplos traumas, entre eles traumatismo craniano. Foi difícil resistir, mas ela aguentou enquanto pode até falecer nesta manhã... Espero que a família compreenda que foi melhor assim. Agora ela já não sofre mais. Quanto ao que vai acontecer ao rapaz que a atropelou, eu ainda não sei. Providências para que o trânsito faça menos vítimas também ainda não foram tomadas.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
O trânsito de Macapá
Hoje pela manhã, uma senhora foi atropelada por um motociclista em frente à TV, na rua Hildemar Maia. Este não foi o primeiro acidente que presenciamos aqui. De vez em quando, policiais militares montam uma blitz na descida da ladeira da Hildemar Maia, com a avenida Maria Quitéria. O bloqueio assusta motoristas que não estão em dia com o pagamento dos impostos, ou que estão em alta velocidade e reduzem bruscamente.
Bom, existe outra questão... Eu pago em dia o IPVA do meu carro e tudo o mais, mas tem gente que não paga e nem pensa nisso. A justificativa, completamente razoável dos outros, é que as ruas e avenidas não oferecem infra-estrutura, não há sinalização e os buracos já são tantos que a contagem é impossível, mesmo tapando, não demora surge outro maior e mais profundo.
Muitos, inclusive eu, questionam a aplicação dos recursos. Só se vê operação tapa buraco, mas implantação de semáforos, pintura de faixas, colocação de placas e tudo que torne o tráfego mais seguro, em lugar nenhum. Aí fica realmente difícil desembolsar uma grana no pagamento de impostos e não ter retorno. É injusto demais.
Bom, Macapá tem 250 anos. Tem gente que morre jovem, bonita, bem sucedida, bem cuidada, sem nenhuma plástica, apenas cuidado. Então considero inaceitável a postura e o descuido dos antigos representantes do povo com a cidade “jóia da Amazônia”, depois de mais de dois séculos de existência.
Quem tentou cuidar, e quem não manteve, eu não sei. Só sei que este cuidado deveria ser uma das prioridades de cada um dos gestores públicos. E eles esqueceram de tudo. O trânsito não é o único problema, a saúde está doente, o saneamento básico (BÁSICO) não existe para mais de 70% da população macapaense. Eu sinto vergonha! Mas quem enche o bolso desviando dinheiro público, não se importa. O que me intriga é que essas mesmas pessoas também fazem parte da população, também vivem aqui, também são gente e passeiam com seus carros nada básicos pelas ruas horrorosas da capital e é uma capital, imagina se não fosse...
Eu queria tudo diferente, mas perdoem-me, não tenho esperança nos homens. Acredito que só Deus tenha poder para resolver tudo isso. Ah! E quanto a senhora que foi atropelada, ela passa bem. Teve escoriações leves, mas levou um baita susto. O rapaz da motocicleta precisou dar explicações à Policia e foi liberado.
Bom, existe outra questão... Eu pago em dia o IPVA do meu carro e tudo o mais, mas tem gente que não paga e nem pensa nisso. A justificativa, completamente razoável dos outros, é que as ruas e avenidas não oferecem infra-estrutura, não há sinalização e os buracos já são tantos que a contagem é impossível, mesmo tapando, não demora surge outro maior e mais profundo.
Muitos, inclusive eu, questionam a aplicação dos recursos. Só se vê operação tapa buraco, mas implantação de semáforos, pintura de faixas, colocação de placas e tudo que torne o tráfego mais seguro, em lugar nenhum. Aí fica realmente difícil desembolsar uma grana no pagamento de impostos e não ter retorno. É injusto demais.
Bom, Macapá tem 250 anos. Tem gente que morre jovem, bonita, bem sucedida, bem cuidada, sem nenhuma plástica, apenas cuidado. Então considero inaceitável a postura e o descuido dos antigos representantes do povo com a cidade “jóia da Amazônia”, depois de mais de dois séculos de existência.
Quem tentou cuidar, e quem não manteve, eu não sei. Só sei que este cuidado deveria ser uma das prioridades de cada um dos gestores públicos. E eles esqueceram de tudo. O trânsito não é o único problema, a saúde está doente, o saneamento básico (BÁSICO) não existe para mais de 70% da população macapaense. Eu sinto vergonha! Mas quem enche o bolso desviando dinheiro público, não se importa. O que me intriga é que essas mesmas pessoas também fazem parte da população, também vivem aqui, também são gente e passeiam com seus carros nada básicos pelas ruas horrorosas da capital e é uma capital, imagina se não fosse...
Eu queria tudo diferente, mas perdoem-me, não tenho esperança nos homens. Acredito que só Deus tenha poder para resolver tudo isso. Ah! E quanto a senhora que foi atropelada, ela passa bem. Teve escoriações leves, mas levou um baita susto. O rapaz da motocicleta precisou dar explicações à Policia e foi liberado.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Enfim descanso e paz, depois de 98 anos...
Minha avó teve uma vida longa, e que vida! Foram 98 anos de experiências. Papai conta histórias fortes, emocionantes e tão profundas que não há como deixar de absorver alguma coisa. Na mente ficam as conversas lúcidas até os 95 anos, aproximadamente... Na recordação os conselhos, as piadas e o carinho e amor incondicionais que ela nutria pelo meu pai, filho mais novo dela. Para ela um bom filho, grande amigo e para mim excelente pai.
Da casa da vovó Biló, lembro com saudades do meu tempo de criança em que meus primos, irmãos e eu brincávamos por lá. O quintal era grande e tinha árvores, mas nossos pais preferiam que ficássemos dentro da casa. Tudo bem, a gente queria mesmo era brincar, não importava onde.
Bom, com o passar do tempo, a gente começa a entender que não há mais tempo, nem sequer para ver os parentes. Minhas visitas eram raras nos últimos anos. Duas, ou três semanas antes de vovó falecer, fui vê-la. Ela não estava bem. Na verdade, desde que uma de minhas tias morreu ela nunca mais foi a mesma. Minha avó já tinha perdido o marido e grande amor, quando eu tinha 1 ano. Cinco anos depois, perdeu um dos filhos e quase foi junto. Há quatro anos, morreu minha tia. Daí não percebi mais lucidez e nem vontade de viver na vovó. Mas mesmo com o coração frágil e batendo com a ajuda de um marca-passo ela resistiu por quase um século.
Foi boa mãe, avó dedicada e uma fortaleza. A morte dela, na última quarta-feira, 5 de novembro, trás dor, mas também alívio para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Hoje ela já não sofre mais, não pode sentir mais nada. Meu pai sente muito a perda dela, mas compreende que foi melhor assim. Todos nós sabemos disso.
Quero lembrar-me sempre das experiências, do sorriso, dos trejeitos e falar engraçado da minha avó, Benedita Côrtes de Miranda. Desejo cuidar dos meus pais com a mesma dedicação que meu pai cuidou dela até o último dia de sua vida. Ele precisa e merece essa recompensa.
Da casa da vovó Biló, lembro com saudades do meu tempo de criança em que meus primos, irmãos e eu brincávamos por lá. O quintal era grande e tinha árvores, mas nossos pais preferiam que ficássemos dentro da casa. Tudo bem, a gente queria mesmo era brincar, não importava onde.
Bom, com o passar do tempo, a gente começa a entender que não há mais tempo, nem sequer para ver os parentes. Minhas visitas eram raras nos últimos anos. Duas, ou três semanas antes de vovó falecer, fui vê-la. Ela não estava bem. Na verdade, desde que uma de minhas tias morreu ela nunca mais foi a mesma. Minha avó já tinha perdido o marido e grande amor, quando eu tinha 1 ano. Cinco anos depois, perdeu um dos filhos e quase foi junto. Há quatro anos, morreu minha tia. Daí não percebi mais lucidez e nem vontade de viver na vovó. Mas mesmo com o coração frágil e batendo com a ajuda de um marca-passo ela resistiu por quase um século.
Foi boa mãe, avó dedicada e uma fortaleza. A morte dela, na última quarta-feira, 5 de novembro, trás dor, mas também alívio para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Hoje ela já não sofre mais, não pode sentir mais nada. Meu pai sente muito a perda dela, mas compreende que foi melhor assim. Todos nós sabemos disso.
Quero lembrar-me sempre das experiências, do sorriso, dos trejeitos e falar engraçado da minha avó, Benedita Côrtes de Miranda. Desejo cuidar dos meus pais com a mesma dedicação que meu pai cuidou dela até o último dia de sua vida. Ele precisa e merece essa recompensa.
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